Brasil deve manter área de soja na próxima safra, estima Aprosoja Brasil

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil) espera por manutenção da área plantada com soja na safra 2017/2018. Foi o que afirmou, nesta quinta-feira (25/4), o presidente da entidade, Marcos da Rosa.

Na safra atual, cujo calendário agrícola termina em julho próximo, os sojicultores brasileiros elevaram a superfície semeada. De acordo com o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram 33,85 milhões de hectares (+1,8%).

“A área vai ficar na mesma, a tecnologia vai diminuir em função dos problemas dos custos e os baixos preços de Chicago, que não remuneram. É um momento muito delicado para decidir, mas é essa a visão que eu tenho”, disse ele, durante o seminário A Força do Campo, promovido pelo Banco Santander, em Cuiabá (MT).

Agricultor em Canarana, no leste mato-grossense, Marcos da Rosa, acrescentou que há dificuldades na comercialização da safra atual. Usando a si mesmo como exemplo, ele explicou que tem milho pronto para colher, mas não consegue vender porque o preço atual não cobre os custos.

“Estamos vivendo um momento de novo de armazém cheio e sem dinheiro do bolso. O leilão do governo não dá os custos de produção de qualquer maneira”, afirmou, referindo-se à intervenção do governo no mercado de milho por meio de leilões de prêmios de escoamento e contratos de opção.

Diante do atual cenário, a tendência é o agricultor “controlar” a sua produção. “É melhor ter a produção controlada, uma oferta menor e um preço maior. Não tem renda”, afirmou.
 

Plano Safra

Marcos da Rosa se mostrou cético em relação ao Plano Safra para a temporada 2017/2018. Duirante o evento em Cuiabá, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, informou que o anúncio das medidas do próximo plantio serão anunciadas na semana que vem.

Segundo o ministro, a expectativa é de taxas de juros, em média, um ponto percentual menor que as praticadas atualmente. O presidente da Aprosoja Brasil comentou que a expectativa do setor era de uma queda maior. Mas ponderou que o problema maior não está nas condições em si, mas no acesso aos recursos.

“Não adianta ter o recurso seja caro ou barato e não conseguir acessar ele no banco hoje. Continuam os entraves de tramitação. Ou não acessa o recurso ou, quando acessa, é muito tarde”, criticou.


Funrural

Marcos da rosa disse ainda esperar para esta sexta-feira (26/5) a apresentação do texto da medida provisória que regulamente a cobrança do Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural). O setor espera uma definição sobre como deverá quitar o passivo bilionário gerado pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que atestou a constitucionalidade da cobrança.

“O importante com essa MP é que o produtor rural não vá para a inadimplência e não tenhamos por esse motivo um safra menor”, afirmou.

Fonte: Revista Globo Rural