Colheita pressiona os preços da soja no Brasil

Com a colheita de soja já encerrada em algumas regiões do Brasil, os preços do grão têm sofrido pressão de baixa. O ritmo da demanda tanto interna quanto externa, não está acompanhando a oferta, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Só na semana passada, o indicador medido pela instituição, com base no corredor de exportação de Paranaguá (PR), acumulou uma baixa de 1,5%. Na última sexta-feira (24/3) a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 68,33.

Na segunda-feira (27/3), a referência caiu mais 1,77% e chegou a R$ 67,12 a saca. No acumulado do mês de março, o Cepea registra uma desvalorização de 6,65% no indicador baseado no porto paranaense.

“Compradores brasileiros mostram interesse apenas por pequenos lotes, visto que esperam quedas mais acentuadas devido à safra recorde”, dizem os pesquisadores, em nota divulgada nesta semana.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve divulgar os números atualizados sobre a safra no dia 11 de abril. O levantamento mais recente, a instituição havia revisado para cima sua perspectiva de produção, de 105,5 milhões para 107,6 milhões de toneladas da oleaginosa.

Números do setor privado reforçam a expectativa de grande produção. O consultor Flávio França Junior, acredita em uma colheita total de 111,3 milhões de toneladas, com a regularidade climática beneficiando o desenvolvimento das lavouras brasileiras de soja.
 

Em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, a colheita da safra 2016/2017 chegou a 97%, de acordo com o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea). A produtividade, de acordo com os técnicos, tem ficado acima da média das últimas safras.

A expectativa é de uma colheita de 31,04 milhões de toneladas, pressionando os preços praticados no Estado. Na semana passada, o Imea registrou baixa de 3,31%. A saca de 60 quilos foi negociada, em média, a R$ 53,79.

“Os volumes esmagados não estão acompanhando a ampla produção da forma esperada”, diz o Imea. Em fevereiro de 2017 foram esmagadas 744.120 toneladas, menos que em fevereiro de 2016 quando, conforme o técnicos, o cenário era de menor oferta e preços elevados.
 

Mercado calmo

Na avaliação do banco holandês Rabobank, a tendência é do mercado de soja ficar “mais calmo”, pelo menos até a virada do mês. Em relatório, a instituição ressalta que a colheita da safra na América do Sul vem confirmando a expectativa de produção maior, acentuando a queda nas cotações do grão.

Os analistas destacam que, na Bolsa de Chicago, o contrato para entrega em maio deste ano chegou a valer US$ 10,83 o bushel no início deste ano. Já na primeira metade de março, o papel chegou a valer US$ 10,06 por bushel. No Brasil, tomando por base o município de Rondonópolis (MT), a cotação caiu de R$ 83 para R$ 62 a saca no período.

“Com a conclusão dos trabalhos de colheita na América do Sul, a atenção do mercado deverá retornar às expectativas para a nova safra dos EUA”, diz o banco.

Nesta sexta-feira (31/3), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve divulgar números da intenção de plantio dos produtores locais para o ciclo 2017/2018. Para o Rabobank, os dados serão essenciais para direcionar os preços no mercado.

Fonte: Revista Globo Rural